Symbolon
Artigos
 ..inicial | editorial | quem somos | artigos | monografias | bibliografia | resenhas

O CAMINHO COMO ARQUÉTIPO

SUZANA LYRA STRAPASSON

Uma abordagem do Caminho de Santiago de Compostela
como expressão do Processo de Individuação

O Caminho de Santiago de Compostela é uma rota medieval de peregrinação trilhado por milhares de pessoas de todos os lugares do mundo. O caminho demonstra a manifestação do invisível nos mitos, lendas, milagres e aparições mediante o suporte do visível que é a rota do Caminho de Santiago.

Como a estrutura da totalidade sempre existiu a priori , mas estava enterrada no mais profundo inconsciente, lugar este onde pode ser novamente encontrada, a meta da peregrinação é a busca da união dos opostos extremos. O objetivo então, é buscar as possibilidades da consciência, não enquanto um afastamento do modo empírico de ser concretamente, mas o apreender mais completo possível do eu.

Esse conhecimento de si próprio no sentido mais amplo do termo, dá-se enquanto uma viagem através dos quatro continentes, na qual alguém se encontra exposto a todos os perigos por terra, mar, ar e fogo. A natureza do Caminho é altamente complexa, pode ser pressentida mas não claramente consciente.

DA DIMENSÃO HISTÓRICA

"lacrimejante caminho

pela sagrada trilha

do monte Yudono"

Sora

O Caminho de Santiago de Compostela comporta um trajeto determinado. No final do século XI, quatro cidades francesas ficaram conhecidas como pontos de partida tradicional- Tours, Vezelay, Le Puy e Arles- por sua importância histórica. Esses caminhos encontravam-se em Ostabat, cidade francesa próxima à fronteira com a Espanha.

Atualmente, Roncesvalles, uma colegiata Agostiniana, também é bastante usada como ponto de partida para aqueles que fazem somente a etapa na Espanha até chegar ao objetivo último que é a cidade de Compostela, lugar de morte onde dizem repousar o corpo do Santo apóstolo Tiago.

Mas, segundo a tradição medieval, a peregrinação termina em Finisterra que, em latim significa "fim da terra". Na idade média, muitos peregrinos iam para ver o fim do mundo que, do alto do penhasco, onde existe até hoje um farol, vê-se uma assustadora linha reta, como se fosse um lugar onde acabasse o terreno e começasse o celeste.

Conta a tradição que no ano 813, um eremita chamado Pelayo, começou a ver luzes, uma espécie de chuva de estrelas sobre um bosque da Galícia, lugar este, onde o eremita descobriu o túmulo de mármore do apóstolo e seus discípulos.

Para visitar o túmulo do apóstolo, as pessoas partiam de vários pontos da Europa percorrendo assim, um caminho longo e cheio de perigos, caminho este que ficaria mais tarde conhecido como o Caminho de Santiago do Campo da Estrela.

DO PONTO DE VISTA DO MITO

"O orvalho há de apagar

a insígnia em meu chapéu

"jornada a dois"

Sora

Sabemos que a história antiga do homem está sendo redescoberta de maneira significativa através dos mitos e imagens simbólicas que lhe sobreviveram.

Todo mito transcende a realidade imediata e nos fala metaforicamente daquilo que repousa por trás do mundo visível, pois os mesmos poderes que animam nossa vida, animam a vida do mundo.

"O apóstolo Tiago, desembarcando nas costas mediterrâneas de Andalucia, adentra no território da extinta Tartessos evangelizando aqui e alí. Pregou intensamente e, nos arredores de Munxía, recebeu a visita da Virgem Maria que chegou numa barca milagrosamente guiada por anjos. Perseverou durante 7 anos mas não obteve muitos frutos e, abandonando a região, marchou até as cidades Célticas do Centro. Às margens do rio Ebro lhe aparece pela vez a Virgem Maria e o acalenta pois, por mais que tardasse, aquela semente de Fé produziria seus frutos.

Regressando a Jerusalém, Tiago toma conhecimento que dois magos célebres haviam seduzido a população com seus encantamentos. Começa então o apóstolo a extirpar das almas a mágica fascinação a que estavam submetidas. Todo esse assunto molestou os judeus e, Abiathar, sumo sacerdote, excitou a multidão contra o apóstolo e esta lhe conduziu diante de Herodes Agripa, o qual o condenou à morte.

Seu corpo, sendo resgatado por alguns discípulos, segue numa barca guiada por anjos invisíveis, a barca toma rumo a Oeste, o caminho que tomam as almas para o "Mais Além", transpõe as colunas de Hércules, entra no Oceano tenebroso e, ao fim de sete dias ou quem sabe uma noite, a milagrosa embarcação chega nas costas da Galícia, entra no rio Noela e se detém junto a Iria Flávia na Espanha onde se destaca a Constelação do Cão Maior, ao final da Via Láctea o "Arco Iris do deus Lug", que tempos depois tomará o nome de Caminho de Santiago.

Quando depositado sobre uma pedra, o corpo de Tiago se fundiu como cera, dando-lhe a forma de um sarcófago onde decidem deixar o corpo santo até encontrarem um lugar definitivo para sua sepultura. O masoléu do apóstolo Tiago foi construído na propriedade da rainha "Loba", campo este que seria posteriormente o "Campo da Estrela" que deu origem a cidade medieval de Compostela."

DO PONTO DE VISTA DO PEREGRINO

"Longa jornada

meus olhos impassíveis

contemplam o mar"

Basho

Percorrer o caminho de Santiago de Compostela é, para o peregrino, viver a experiência de uma iniciação.

O vocábulo "iniciação" guarda a idéia de "começo" , que ele recebeu do latim "initium", de onde deriva , formado do radical "it", que deu "iter" ( caminho) e "itus" (ação de partir , de caminhar). "Iniciar" é, propriamente, "pôr-se a caminho do começo". Eis porque a iniciação é considerada em todas as tradições, como um nascimento e como uma gênese, em que o neófito que "recebeu a luz" deve se tornar seu próprio demiurgo e progredir para um desenvolvimento ontológico cuja direção lhe é sugerida. Mas também é o fim, a conclusão de algo, como revela o grego "teletè", parente próximo de "teleutè", "realização" e "morte". O primeiro ato da iniciação é a "morte" do profano e o "nascimento" do neófito. O iniciado entra na vida pela morte para se pôr em marcha rumo à realização do seu ser; mas é preciso que essa morte e essa vida lhe sejam dadas, como também lhe devem ser dadas as indicações sobre o caminho a seguir".

Mas podemos também dizer que: Iniciar é pôr-se à caminho do princípio, onde acontece a busca pela essência própria a cada indivíduo, e a qual, segundo Leibniz "dois seres diferem sempre por caracteres intrínsecos e não por suas posições no tempo e no espaço"

O peregrino, que pelo visto está em "pèlerinage de l'âme" (peregrinação da alma), transpõe o limite noturno do seu mundo e vê um outro universo sobrenatural (...)".

Estamos aqui diante de uma aparente oposição de mundos, aparente no sentido de que à princípio não há separação, o que faz essa oposição na verdade, é não termos consciência da totalidade. Quando em oposição, como diz Jung: "uma dimensão do "psíquico", se contrapõe à linha horizontal da consciência empírica que, deixando de lado os conteúdos psíquicos, só está ciente de corpos que se movem(...) ". Com isso entendo que o ego enquanto representação da linha horizontal, necessita reconhecer que é parte da linha vertical, que seria a representação da totalidade (self), e que enquanto tempo e espaço, não tem começo nem fim, simplesmente é. Cabe aqui uma citação de Jung que diz:

"Do ponto de vista da consciência, o processo se apresenta como uma aventura ou uma "quest", algo como no Pilgrim's Progress, de JOHN BUNYAN... conta das mesmas experiências internas que também ocorrem ao homem de hoje, quando ele escolhe o "caminho estreito". À pergunta, mil vezes pronunciada: "O que posso fazer?" não sei outra resposta, além de : "Seja aquilo que você sempre foi", ou seja, aquela totalidade que perdemos através das condições de uma existência consciente, civilizada; uma totalidade que éramos mas não sabíamos...".

A iniciação é de certo modo, um fazer morrer para então reconhecer um novo estado.

Quando falamos no sentido do caminho de Santiago de Compostela devemos lembrar que "Hoje, o sentido é totalmente inconsciente. Não se sabe o alvo para o qual se caminha. Não se sabe o que move as pessoas. Todas as linhas de comunicação entre as zonas consciente e inconsciente da psique humana foram cortadas e fomos divididos em dois."

Estando ou não consciente do que o leva a fazer esse caminho, o peregrino está respondendo a um chamado, como se o destino o convocasse. Acontece uma saída de cenas comuns onde este deixa para trás casa, família, amigos, trabalho, para inserir-se numa nova cultura onde tudo difere - língua, arquitetura, dinheiro, raça, etc.- dando início a uma mudança de estado emocional. O primeiro obstáculo a ser transposto é o abandono de velhos valores, ideais, ou mesmo a própria maneira de ser no mundo, onde se abandona e é abandonado, como se fosse arrancado de seu solo e que deve então, submeter-se de certo modo, à purgação e a entrega.

Inicia-se uma jornada que tem propósito civilizador e espiritual, no sentido de que, ele precisa e necessita da experiência de estar vivo. "O iniciado transpõe a cortina de fogo que separa o profano e o sagrado, passa de um mundo para outro e sofre, com esse fato, uma transformação, muda de nível, torna-se diferente". Essa passagem refere-se ao limiar que simboliza tanto a separação de velhos valores, como a possibilidade de uma aliança, uma união, uma reconciliação consigo mesmo.

Colocar-se no limiar é também colocar-se sob a proteção Divina, o que exige uma certa pureza de intenção, de alma, pois vem a ser a fronteira do Sagrado, que participa da transcendência do centro. A transformação corresponde aqui ao processo psíquico da assimilação e da integração, isto é, à função transcendente.

Ao deparar-se com esse novo mundo ao fazer a opção do caminho, deixa ele de ser chamado homem comum e passa a ser chamado de peregrino. A palavra " peregrino" enquanto símbolo religioso "corresponde à situação do homem sobre a terra, o qual cumpre seu tempo de provações (...), o símbolo exprime não apenas o caráter transitório de qualquer situação, mas o desprendimento interior em relação ao presente,(às fixações do passado e expectativas do futuro), e a ligação a fins longínquos (profundo)e de natureza Superior (...).

Pode-se notar, com relação ao símbolo do peregrino, as idéias de expiação no sentido de sofrer as consequências (caminhar) enquanto rito, em busca da purificação do coração (como centro). Simbolicamente, a purificação está ligada à água, ao fogo, ao sangue. Pode representar uma aspiração a uma vida celeste enquanto aquilo que na tradução de Thomas Cleary diz:

"La Via è la naturalezza.

La Via non há nome né forma;

È solo l'essenza,

Solo lo spirito originale".

e o retorno às fontes da vida.

Segundo Hermann Hugo, a alma do peregrino cristão é guiada pelo verbo divino:

"Que os meus passos sejam guiados para cumprir as Tuas leis (Salmo 118,5) Percorro o labirinto confuso Com todas as suas sendas tortuosas e aguardo sem receio o auxílio prometido pelo Teu Verbo. De longe, vejo alguns soçobrarem de entre os mais cautelosos e provavelmente os mais ousados: Continuo cegamente em frente e toda a minha arte consiste na minha devoção a Ti, meu amigo! (...)Esta vida é um labirinto; Para que a travessia seja segura Deves confiar sinceramente em Deus com um coração puro e sem artifício."

Para sobreviver a essa sucessão de provas, se faz necessário convocar a força divina. Deve acontecer uma purificação do eu em que os sentidos são purificados e tornados humildes, pois ele já não tem mais o controle sobre sua vida, está à mercê de uma força maior e suas energias e interesses devem concentrar-se no transcendente, isto é, aquilo que não sendo diretamente acessível à consciência, precisa de numerosas e diferentes expressões para poder expor a multiplicidade de seus aspectos, pois a tendência do homem é personificar essas experiências para antropomorfizar forças naturais.

Deve morrer para a carne no sentido de transcender àquela existência do modo de ser egóico; transmutar as imagens infantis do seu passado pessoal, pois homem ou mulher, devem reconhecer e transformar o orgulho, a alienação, o apego, os desejos de posse, e inclinar-se aos desígnios do absolutamente intolerável , nascendo assim para o espírito, para uma totalidade mais ampla; reconhecer o Maior que sustenta o menor, pois o caminho nos mostra o equilíbrio entre a morte e a vida como sendo aspectos da mesma coisa pois, "a vida , em sua transformação, está sempre destilando morte."

Muitos são os caminhos que podemos fazer nesse mundo, mas o essencial de todos ainda é o " caminho interior", e que só tem sentido se estivermos consciente dele, sendo que esse caminho nunca é completo, no sentido que sempre há algum aspecto a ser reconhecido nesse processo de busca. Com vistas à compreensão de caminho absolutizada no - Tao chinês, Martin Heidegger afirmou:

"Talvez se oculte na palavra caminho, Tao, o mistério de todos os mistérios do dizer pensante, caso deixemos esses nomes voltarem a seu não - falado e sejamos capazes desse deixar. Talvez também e justamente o poder enigmático do atual domínio do método provenha do fato de que os métodos, não obstante sua capacidade de desempenho, sejam apenas as águas despejadas uma grande corrente oculta, do caminho que tudo move, a tudo rasga sua trajetória. Tudo é caminho".

É caminhando que podemos ampliar nossa capacidade de enxergar o invisível; isto é, a priori o mundo da psique está projetado no concreto, e a purificação é a retirada de projeção do mundo, quando tomamos consciência que o que está fora, também está dentro de nós, somente aí que o caminho se torna puramente caminho. Não existe mais dentro nem fora enquanto conceitos antagônicos.

O Caminho de Santiago de Compostela pode aqui ser abordado como tema da "jornada solitária ou peregrinação, como um dos símbolos oníricos que exprime a liberação pela transcendência" a qual representa a luta do homem na tentativa de alcançar um estágio superior ou mais amadurecido de sua evolução.

Nesse estágio superior de consciência, acontece uma união do consciente com os conteúdos inconscientes da psique. Dessa união é gerada a função transcendente, a qual leva o indivíduo à plena realização das potencialidades de seu ser ou self , e que é própria ao processo de individuação. Em Aion temos o relato que: "Aquilo que há de mais alto e de mais baixo, surgindo das raízes da alma, pode levar o pequenino barco de nossa consciência ao naufrágio ou a um porto seguro, com ou sem a nossa participação. Por isso a experiência deste centro é verdadeiramente numinosa". Baseado nisso podemos dizer que é necessário acontecer uma "abertura para a consciência metafísica de que você e o outro são um, de que você é dois aspectos de uma só vida, e que a sua aparente separação é apenas resultado do modo como vivenciamos as formas, sob as limitações de tempo e espaço. Nossa realidade reside em nossa identidade e unidade com a vida total".

Para finalizar gostaria de deixar aqui um poema de Rabindranath Tagore:

Companheiro de caminho,

Recebe a minha saudação de peregrino!

Oh Senhor do meu coração partido,

Senhor da despedida e do fracasso, Senhor do silêncio sombrio do entardecer,

Recebe a saudação desta casa em ruínas!

Oh luz da manhã recém-nascida, Oh sol do dia que permanece,

Recebe a saudação da esperança que não morre!

Oh meu guia! Eu sou o peregrino de um caminho sem fim.

Recebe a saudação deste homem que vagueia!

Trabalho desenvolvido por SUZANA LYRA STRAPASSON para conclusão do curso de Especialização em Psicologia Analítica- PUC-PR.

BIBLIOGRAFIA

ALARCÓN HERRERA, Rafael. A La Sombra de Los Templarios. Barcelona -Espãna - Editora Martinez Rocca, .S.A. 1986.

BASHO, Matsuo. Trilha Estreita ao Confim. SP - Editora Iluminuras. 1997.

BURMAN, Edward. Templários: Os Cavaleiros de Deus. RJ - Editora Nova Era. 1994.

CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. SP - Círculo do Livro. 1988.
_______ O Poder do Mito. SP - Editora Palas Athena. 1987.

CHEVALIER, Jean.; GHURBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. RJ - Editora José Olympio. 1982.

CHOURAQUI, André. A Biblia Iohnãn - O Evangelho Segundo João. RJ - Editora Imago. 1997.

CLEARY, Thomas. Tradução: Il Segreto del Fiore D'oro. Lü Tung-Pin. Roma - Ubaldini editore. 1991/1993.

EDINGER, F. Edward. Ego e Arquétipo. SP - Editora Cultrix. 1995.

GERD, Heinz Mohr. Dicionário dos Símbolos, Imagens e Sinais da Arte Cristã. SP - Editora Paulus. 1994.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia em Transição. Vol. X. RJ - Editora Vozes. 1993.
_______ Aion - Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo. Vol. IX/2. RJ - Editora Vozes. 1988
_______ Psicologia da Religião Ocidental e Oriental. Vol. XI. RJ. - Editora Vozes. 1988.
_______ Mysterium Coniunctionis. Vol. XIV/2. RJ - Editora Vozes. 1990.
_______ Psicologia e Alquimia. Vol. XII. RJ - Editora Vozes. 1991.
_______ O Homem e seus Símbolos. RJ - Editora Vozes. 1990.
_______ A Prática da Psicoterapia. Vol. XVI. RJ - Editora Vozes. 1991.

KÖNIG, F.; Waldenfelds, H. Léxico das Religiões. RJ - Editora Vozes. 1998.

LODGE, David. Terapia. SP - Editora Scipione Ltda. 1997.

MANFRED, Lurker. Dicionário de Símbolos. SP - Editora Martins Fontes. 1997.

MÁQUI. Guia do Peregrino do Caminho de Santiago. SP - Editora Ground. 1997

PEDROSO, José Carlos. Olhos do Espírito. SP - Centro Franciscano de Espiritualidade. 1993.

ROGER, Bernard. Descobrindo a Alquimia. SP - Círculo do Livro. 1991.

ROOB, Alexander. Alquimia e Misticismo. Editora Taschen. 1997.

SCHLESINGER, H. Porto. Dicionário Enciclopédico das Religiões. Vol. I. A. J. RJ - Editora Vozes. 1995

TAGORE, Rabindranath. Presente de Amante e Travessia. SP - Editora Paulus. 1991.

Tradução Ecumênica da Bíblia. Novo Testamento. SP - Editora Loyola. 1987.

WINCKEL, Erna Van de. Do Inconsciente a Deus. SP - Edições Paulinas. 1985.

Anônimo. A Bíblia Sagrada. Antigo e Novo Testamento. RJ - Série RA53 - 1965.


.......................
 ... c.g.jung | conversas | biblioteca | informativo | agenda | links | fale conosco