JUNG
E A METÁFORA ALQUÍMICA
Vitor
P.Calixto dos Santos
INTRODUÇÃO
"A
alquimia representa a projeção em laboratório
de um drama ao mesmo tempo cósmico e psicológico."
C.G.Jung¹
Hoje, às vésperas do terceiro milênio, vemos
despertar uma série de movimentos "religiosos"
que possuem entre suas características a volta à
natureza, o esoterismo, a busca do transcendente, etc. o que em
outras palavras significa uma volta ao ser.
Dentro destes movimentos podemos perceber elementos ligados à
alquimia os quais adquirem hoje atualidade e importância
para a compreensão dos fenômenos naturais e individuais.
Neste sentido podemos perceber a visão profunda, aberta
e profética de C.G.Jung ao aplicar ao processo de individuação,
isto é, à busca da perfeita realização
da pessoa humana, a metáfora alquímica de modo a
iluminar o processo de integração psíquica,
tantas vezes reduzido à técnicas dentro de uma visão
empírica e cientificista, com a sabedoria milenar dos alquimistas.
Sua intuição tem produzido frutos e continua a ser
desenvolvida no âmbito da psicologia analítica não
só aplicada ao processo de individuação de
cada pessoa, mas do próprio mundo. Neste sentido, a psicologia
analítica com a metáfora alquímica tem hoje
a palavra que o mundo anseia em todas as suas buscas do Ser.
Veremos neste trabalho em que consiste e como é que esta
sabedoria alquímica milenar chegou até nós
passando antes pelas mãos de Jung.
1 – A METÁFORA ALQUÍMICA ANTECEDENTE
A metáfora alquímica junguiana é o resultado
de um processo metafórico antecedente e que constitui o
processo alquímico em si mesmo conforme a sua realização
num momento particular da história.A alquimia, tradição
antiquíssima de origem incerta, consiste em uma série
de ensinamentos práticos e teóricos voltados à
transformação e ao aperfeiçoamento da matéria
que se expressaria na transmutação de metais vis
em ouro e na preparação do elixir da vida.
Sua origem, particularmente no caso da alquimia européia,
parece proceder do Egito onde era associada ao culto do deus Thoth,
que se tornou Hermes na Grécia antiga e Mercúrio,
em Roma.
Nasce como uma ciência natural que busca a compreensão
da própria natureza a partir de uma especulação
filosófica, como se pode ver já na filosofia pré-socrática
no século VI a C. É dela que nasce o conceito de
prima matéria a partir da crença de que o mundo
tinha origem em uma única substância que era subdividida
nos quatro elementos terra, ar, fogo e água, os quais,
segundo diferentes recomposições faziam surgir todos
os objetos físicos existentes no universo. Esta idéia,
a prima matéria, teve sua evolução chegando
com Aristóteles a ser considerada como pura potencialidade,
que em seguida adquire forma, quando é atualizada na realidade.
Assim:
"A
alquimia é uma ciência natural que representa uma
tentativa de entendimento de fenômenos materiais de natureza;
é um misto da física e da química desses
tempos remotos e corresponde à atitude mental consciente
daqueles que a estudaram e se concentraram no mistério
da natureza, em especial dos fenômenos materiais. Também
é o princípio de uma ciência empírica"².
Este empirismo era como vimos nesta citação acompanhado
por uma visão de mundo, por uma filosofia chamada "Hermética",
nome derivado de Hermes (Mercúrio) que era o principal
símbolo da substância que é transformada durante
o processo alquímico.
Sua história, porém, é bastante complexa
dada a extensão temporal, chegando até nossos dias
e territorial, já que se espalhou por várias partes
do mundo³. O que se sabe é que esteve em evidência
nos séculos XVI – XVII, quando atingiu o seu desenvolvimento
completo, graças, em grande parte ao trabalho de Paracelso(1493-1541)
e seus alunos.
O século XVIII marca o desaparecimento da alquimia já
que o seu "método de explicação: "obscurum
per obscurius, ignotum per ignotius"- o obscuro pelo mais
obscuro e o desconhecido pelo mais desconhecido, era incompatível
com o espírito do iluminismo e particularmente com o alvorecer
da ciência química, no final do século"(4).
Apesar de todas as diferenças encontradas nas instruções
dos alquimistas, pode-se notar, contudo, uma concordância
na maioria no que se refere aos pontos principais, isto é,
os quatro estágios do processo alquímico, marcados
pelas cores originárias já presentes em Heráclito:
melanosis ( enegrecimento), leukosis(embranquecimento), xanthosis(amarelecimento)
e iosis(enrubescismento) ou respectivamente nigredo, albedo, (...),
rubedo(5).
A descrição destes processos aos quais é
submetida a prima materia em vias de transformação
não deixa de ser uma metáfora já que o alquimista
não podia controlar o processo e nem mesmo prever o resultado
final. É esta a metáfora alquímica que antecede
a metáfora alquímica em Jung.
2 – A METÁFORA ALQUÍMICA EM C.G.JUNG
2.1 – O CONTATO
Pode se notar na vida de Jung que a alquimia ocupou um lugar de
destaque seja pelo número quanto pela importância
dos escritos que ele dedicou a este tema.
Além da busca do significado de alguns sonhos que levou
Jung à constatação de ser "condenado
a estudar a alquimia desde o princípio", o seu contato
com a alquimia se dá através da leitura do Segredo
da flor de ouro, texto esotérico taoísta chinês,
pouco conhecido naquela época e traduzido parra o alemão
por Richard Wilhelm, que o enviou em 1928 para que Jung fizesse
uma apreciação(6). A partir deste momento Jung irá
estudar a alquimia, estudo este que irá se estender por
quase quinze anos antes que ele publicasse algo a respeito do
tema(7).
É preciso considerar, no entanto, que Jung já possuía
conhecimento alquímicos como pode ser demonstrado por seus
escritos anteriores como Energética psíquica em
1928 quando cita a obra de Herbert Silberer, Probleme der Mystik
un iher Symbolik de 1914. Há ainda uma indicação
da Sabina Spilrein segundo a qual por volta de 1912, época
da primeira redação de Transformação
e símbolo da libido em 1912, Jung teve contato com a figura
de Zozimo que irá desempenhar importante papel na interpretação
junguiana da alquimia(8).
Por fim, cabe dizer que a biblioteca alquímica de Jung,
suas fichas de trabalho, juntamente com as amplas bibliografias
que completam suas obras Psicologia e Alquimia de 1944, Mysterium
coniunctionis de19955-56, Aion de 1951 e o volume que recolhe
os Estudos sobre Alquimia de 1943 mostram a vastidão da
documentação sobre a qual se baseia a sua pesquisa.
Daí a presença deste tema não só nestas
obras citadas e que seriam as principais e que formam os volumes
XII, XIII e XIV das Obras completas, mas também em outros
escritos e citações espalhadas pelos outros volumes,
bem como escritos fora deste âmbito(9).
2.2 – O SIGNIFICADO METAFÓRICO
O
significado metafórico da alquimia para Jung poderia ser
visto nesta suas palavras:
"O
problema central da psicologia é a integração
dos opostos. Isto é encontrado em todo lugar e todos os
níveis. Em Psicologia e Alquimia (Obras 12) ocupei-me da
integração de Satanás.[...] Isto se realiza
por meio de um processo simbólico muito complicado que
coincide a grosso modo com o processo psicológico da individuação.
Em alquimia este processo se chama conjunção de
dois princípios.[...] As operações alquímicas
eram reais, somente que a sua realidade não era física,
mas sim psicológica. A alquimia representa a projeção
em laboratório de uma drama ao mesmo tempo cósmico
e psicológico.[...]
Na linguagem dos alquimistas a matéria sofre até
que a nigredo desapareça; então a cauda do pavão
( cauda pavonis) anunciará a aurora e surgirá um
novo dia, a leúkosis ou albedo. Mas neste estado de brancura
não existe verdadeira vida, é um estado abstrato,
ideal. Para infundir-lhe vida é preciso infundir-lhe "o
sangue", a rubedo, o vermelho da vida. Somente a experiência
de todos os estágios do ser pode transformar o estado ideal
da albedo em uma forma de existência plenamente humana.
Somente o sangue pode vivificar o estado de consciência
mais alto, no qual é dissolvida o último traço
de negrume, no qual o demônio não tem mais existência
autônoma mas é integrado reconstituindo a profunda
unidade da psique. Então a opus magnum está completa:
a alma humana está completamente integrada"(10).
É
a partir do processo de individuação(11) que é
possível compreender a presença difusa dos recursos
ao simbolismo alquímico nos escritos de Jung a partir dos
anos trinta. É preciso dizer que o uso das imagens dos
alquimistas ( entendidas também muitas vezes em sentido
próprio, ou seja como figura) e entre estas, algumas preferidas:
a água, as centelhas, o redondo, o lápis, a árvore
não acontece na ótica de explicações
reducionistas, mas no contexto de amplificaçao nas quais
entre os materiais oníricos e os produtos da imaginação
ativa e as imagens dos alquimistas se estabelece uma circularidade
ou reverberação de significados. Jung faz uma leitura
que adentra na história mas não é uma leitura
propriamente histórica do fenômeno alquímico.
O "mistério" da alquimia na compreensão
de Jung consiste na afirmação clara do caráter
simbólico da coniunctio alquímica na qual propriamente
reside a possibilidade de utilizá-la como termo de confronto
real ( realidade objetiva, externa) e como instrumento de compreensão
e de comunicação para as manifestações
do inconsciente coletivo na psique individual.
Jung, a partir de seu trabalho de comparação, foi
o primeiro a mostrar que o simbolismo alquímico conserva
ainda hoje um significado vital, e que a verdade dos antigos alquimistas
lançam luzes sobre fatos e processos descobertos no âmbito
de uma psicologia marcadamente empírica(12).
É assim que todos os estágios psíquicos ligados
ao processo de individuação podem ser vistos metaforicamente
a partir dos estágios alquímicos, a começar
pelo próprio processo de análise visto como um todo:
"O
encontro de duas personalidades é semelhante à mistura
de duas diferentes substâncias químicas: uma ligação
pode a ambas transformar."(13)
"O
alquimista ilustra não somente em seus traços gerais,
mas muitas vezes em detalhes desconcertantes aquela mesma fenomenologia
psiquíca que o terapeuta pode observar durante o confronto
com o inconsciente."(14)
Podemos citar ainda outras formas de abordagem do inconsciente
como os sonhos que Jung cita e explica em Psicologia e Alquimia
a partir do seu simbolismo alquímico e individual.(15)
Podemos citar ainda o uso e o significado as mandalas, chamadas
pelos alquimistas como quadratura circuli , por ser um quadrado
no círculo e um círculo no quadrado.(16)
No que se refere à aplicação do simbolismo
ou metáfora alquímica por Jung aos estágios
do processo de individuação poder-se-ia fazer um
logo elenco mas consideramos suficiente o acima exposto como exemplo
desta metáfora.
3 – A METÁFORA ALQUÍMICA CONSEQUENTE
Após Jung, outros estudiosos se serviram desta metáfora
para estudar, descrever, explicar, desenvolver os estágios
do processo de individuação.
Entre eles podemos citar inicialmente Marie-Louise von Franz,
colaboradora de Jung e estudiosa da alquimia. Dentre suas inúmeras
obras em que o tema aparece cabe citar como principal Alquimia.
Introdução ao Simbolismo e à Psicologia de
1980 na qual se ressalta o estudo da obra alquímica Aurora
Consurgens que constitui segundo os estudiosos, uma contribuição
de primeira ordem às pesquisas históricas sobre
a alquimia. Marie Louise von Franz diz que o trabalho dos alquimistas
pode ser considerado um paralelo da imaginação ativa(17),
mas a atenção à alquimia não se reduz
no âmbito terapêutico. Ela conduz à indagar
sobre a relação entre inconsciente e a realidade
material. Na realidade o problema psique-matéria ainda
não foi resolvido. O enigma de fundo da alquimia não
foi ainda revelado.
Dando continuidade a estas questões temos a obra de Aniela
Jaffé – The Influence of Alchemy on the Work of C.G.
Jung,(18) que aborda o paradoxo do Mercúrio alquímico
e a relação psique-corpo. Este tema foi também
estudado por Edward Whitmont quando se refere à homeopatia.(19)
O uso do simbolismo alquímico como instrumento de compreensão
das produções do inconsciente ( sonhos, imaginação
ativa, etc.) e auxiliando no entendimento do processo de individuação
pode ser vista ainda em outros autores, sendo destaque entre eles
Edward F. Edinger com sua obra Anatomia da Psique. O simbolismo
alquímico na Psicoterapia de 1978 na qual aparece de forma
sistemática em relação com as passagens da
psicoterapia os estágios alquímicos como calcinatio,
solutio, coagulatio, etc. que definem os símbolos centrais
da transformação.
Há ainda outra aplicação da alquimia como
é o caso de David Holt que faz uma leitura a partir da
relação homem-natureza dentro do grande tema da
redenção da matéria.(20)
Merece destaque ainda a obra de Robert Grinnel, Alchemy in a Modern
Woman(21) onde se trata do tema do inconsciente psicóide
entendido como enraizamento profundo das manifestações
psíquicas na realidade fisiológica. Seus estudos
são classificados pelos estudiosos como ensaios de fenomenologia
alquímica e de alguma maneira completam o caminho realizado
por Jung em suas obras.
Por fim, dada sua diversidade é preciso citar James Hillman
que partindo da metáfora alquímica junguiana vai
além do seu uso como instrumento de terapia individual
para chegar a uma terapia da cultura como se pode ver em o Mito
da análise e nos dois ensaios dedicados aos símbolos
alquímicos da albedo onde se fala da importância
dos símbolos alquímicos para a superação
da atitude unilateral na tradição ocidental.
"Se Jung propõe uma psicologia da alquimia, eu estou
buscando uma psicologização alquímica"
para expressar assim que não se trata somente de uma aplicação
do simbolismo alquímico mas de uma psicologia alquímica(22).
Vemos uma explicação do papel da alquimia em sua
nova visão da psicologia em Revisão da Psicologia
onde ela aparece como a base para patologização.(23)
CONCLUSÃO
Seriam muitos os outros exemplos e obras que, dentro da atualidade
da psicologia analítica usam a metáfora alquímica,(24)
no entanto, permanece o mistério da opus magnum até
que se tenha alcançado o lápis, a pedra filosofal,
a individuação.
Notas
¹C.G.Jung
em entrevista com Mircea Eliade em agosto de 1952 in McGUIRE e
HULL, 1995,194
²Franz, 1998, 15
³Encontramos elementos históricos na obra de C.G.Jung,
Psicologia e Alquimia, Obras Completas 12, 1944/91 e ainda outros
detalhes na obra de Marie-Louise von Franz – Alquimia. Introdução
ao Simbolismo e à Psicologia, 1998 na qual a autora em
meio às explicações de ordem simbólica
e psicológica expõe alguns dados históricos
relativos à alquimia grega, à alquimia arábica
e à importante obra alquímica Aurora Consurgens.
(4)C.G.Jung, 1944/91,§ 332
(5)C.G.Jung 1944/91, § 333-334. O amarelo não aparece
na Segunda enumeração dos processos porque foi posteriormente
omitido, isto por volta do século XV ou XVI, ainda que
alquimia tenha continuado a tratar dos quatro elementos e de quatro
qualidades ( quente, frio, seco, úmido)
(6)Sua apreciação aparecerá em 1929 como
Comentário ao Segredo da Flor de Ouro presente no volume
XIII das Obras Completas – Estudos sobre alquimia (não
traduzido para o português).
(7)C.G.Jung em entrevista com Mircea Eliade em agosto de 1952
in McGuire e Hull, 1995,294
(8)Pereira, 1992,417-118. Faz uma citação da obra
de Sabina Spielrein Ueber den psychologischen Inhalt eines Falles
von Schizophrenie de 1911 na qual ela confronta algumas imagens
oníricas com aspectos da visão de Zozimo, cujo conhecimento,
diz ela, recebera de Jung.
(9)Cita-se um prefácio para um catálogo de alquimia
de Ziegler em 1946, o verberte Alquimia e psicologia para a Enciclopedia
Hebraica em 1948.
(10)C.G.Jung em entrevista com Mircea Eliade em agosto de 1952
im Mcguire - Hull,
(11)Veja a obra de Jolande Jacobi – La psicologia de C.G.Jung
onde a alquimia aparece dentro do capítulo dedicado ao
processo de individuação, pag.173-178
(12)Tudo isto pode ser percebido no volume Psicologia e Alquimia,
particularmente sua primeira parte.
(13)C.G.Jung em Os problemas da Psicoterapia moderna
(14)C.G.Jung em psicologia da transferência, Obras completas
16,358
(15)Trata-se de uma série de 59 sonhos escolhidos a partir
de um trabalho sobre 400 sonhos na sua maioria de Wolfgang Pauli
e recolhidos por uma mulher que era colega de Jung
(16)C.G.Jung na 3ª entrevista filmada com Richard I.Evans
em agosto de 1957 in McGuire e Hull, 1995,409
(17)Este é o título de outra de suas obras sobre
alquimia
(18) Publicada em VV.AA. – Alchemy and the Occult, A catalogue
of books and manuscripts from the collection of Paul and Mary
Mellon Given to the Yale University Library, New Haven, Yale University
Press, 1969/77
(19)Omeopatia e psicoanalisi, Como, Red, 1987
(20)Entre outras Jung and Marx: Alchemy, Christianity and the
Work Against Nature, in Harvest, 21, 1975
(21)Publicado em 1973, Dallas, Spring
(22)Conferir o ensaio Sale: un capitolo della psicologia alchemica
in Stroud – Thomas, 1987, 132-164
(23)Hillman, 1983, 166-168
(24)Por exemplo Aldo Carotenuto usa abundantemente este simbolismo
no seu livro La chiamata del Daimon. Gli orizzonte della veritá
e dellámore in Kafka, Milano, Bompianu,1989. O mesmo com
James A Hall em Messaggi dalla Tenebra. La’interpretazione
junghiana dei sogni, Como, Edizioni Red, 1986 e por fim Nathan
Schwartz – Salant em Borderline: Visione e Terapia. Un approccio
junghiano al paziente borderline.Milano, La biblioteca do Vivarium,
1997
BIBLIOGRAFIA
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FRNZ, M.-L. –Alquimia. Introdução ao Simbolismo
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HILLMAN, J. –Re-visione della psicologia, Collana Saggi
nuova serie 10, Milano, Adelphi Edizione, 1983
JACOBI, J. – La psicologia e Alquimia, Obras completas 12,
Petrópolis, Vozes, 1991
MCGUIRRE, W.-HULL, R.F.C.(ed) – Jung Parla. Interviste e
Incontri, Milano, Adelphi Edizioni, 1995
PEREIRA, M. – L’alchimia e la psicologia di Jung in
Corotenuto, A (de) – Tratatto di Psicologia Analítica.
Volume primo. La dimensione culturale, Torino, UTET, 1992, pag.415-445
STEVENS, A –Jung. Sua vida e pensamento. Uma introdução,
Petrópolis, Vozes, 1993
STROUD, J. – THOMAS, G. (ed) – L’intatta. Archetipi
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del Profondo 12, Como, Edizioni Red, 1987