A ESTÓRIA DE FRODO BAGGINS NO SENHOR DOS ANÉIS E O PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO
André Uniga Junior
Artigo apresentado como trabalho de conclusão de curso, atendendo aos requisitos necessários para a aprovação na habilitação Formação de Psicólogos.
Universidade Tuiuti do Paraná.
INTRODUÇÃO:
A estória de filme tem início com a primeira batalha entre os homens e os elfos contra Sauron, onde este foi derrotado. Neste momento, Isildur (Rei dos Homens) pega o anel para si, sendo morto após pelo poder do anel em corromper as pessoas. Em seguida, ao anel foi achado por Gollum, que o perdeu quando o poder em Mordor começou a renascer, pois procurava por Sauron. Neste momento, Bilbo Baggins acha o anel e mais tarde o deixará para Frodo Baggins, seu sobrinho.
Este artigo foi desenvolvido com base na estória de Frodo Baggins, o personagem central da estória de “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel”, sendo relacionado com o processo de individuação. Porém, Frodo tem uma missão a cumprir, que é a destruição do anel. Mas durante a trajetória da missão, Frodo conhece alguns personagens que terão influência sobre suas decisões e objetivos a serem conquistados.
O objetivo de desenvolver este artigo é com o intuito de fazer analogia com os conceitos teóricos da psicologia analítica, mostrando o transcorrer e as fases do processo de individuação em uma estória mundialmente conhecida.
Marco teórico
A estória de “O Senhor dos Anéis” relaciona-se com algumas estórias que empolgaram as pessoas pelo mundo, como alguns mitos gregos e romanos, e contos de fadas como de João e Maria. Nestes mesmos contos, há também a contextualização de conceitos como o de projeção, bem como, se utiliza de símbolos para representar aspectos da estória. Alguns conceitos utilizados durante a análise da estória, merecem ser melhor desenvolvidos neste momento. “Na definição clássica de Jung, um símbolo é uma coisa viva, a melhor expressão possível de algo que não pode ser caracterizado ou conhecido de outra forma (...) o símbolo sempre aponta para algo transcendente, desconhecido” (BARCELLOS, 1991, p.79). Esta definição é dada por Jung de símbolo, que se situa bem na estória, pois os símbolos fazem relação com o processo de individuação do personagem, pois através da simbologia do anel, que rege a estória, aponta para algo transcendente e desconhecido, principalmente no início da estória para Frodo.
“Irrepresentáveis em si-mesmos, mas seus efeitos manifestam-se na consciência como as imagens e idéias arquetípicas. São padrões ou motivos universais que promanam do inconsciente coletivo e constituem o conteúdo básico de religiões, mitologias, lendas, contos de fadas...” (HALL, 1997, p.151). Este conceito de arquétipo se localiza quanto à explicação de personificações que aparecem no transcorrer da estória como o velho sábio e o herói, sendo que estas personificações ficam evidenciadas em personagens como Aragorn e Gandalf. Estas representações são partes fundamentais do processo de individuação do ego de Frodo. Quanto à individuação, pode-se dizer que: “A percepção consciente da realidade psicológica única de um indivíduo, incluindo forças e limitações. Leva à experiência do si-mesmo como centro regulador da psique” (HALL, 1997, p.152). Este conceito dado por James Hall, exemplifica o self como centro regulador que está regendo Frodo em sua diferenciação. O processo de individuação está representado desde o momento em que Frodo assume o anel como seu, até o momento da sua destruição, ou seja, é a diferenciação da psique de Frodo com relação aos acontecimentos, situações e desafios que surgem durante a missão do anel. O processo de individuação apresenta três etapas, sendo: contato com a sombra, a anima ou animus e o contato com o Self, segundo diz M. L. von Franz, em “ O Homem e seus Símbolos”. Quanto às personificações que surgem no decorrer da estória, não é somente com os arquétipos que isto ocorre, mas também com os complexos, como a anima e a sombra. Quanto ao complexo da anima, James Hall tem um conceito importante no que se refere à alma, “O lado feminino, inconsciente, da personalidade de um homem” (HALL, 1997, p.151). “Anima, em latim, quer dizer alma (...). Jung chamou a anima de arquétipo da própria vida” (HALL, 1997, p.151).
A anima se modifica, não é estática, pois como comenta von Franz, em “ O Homem e seus Símbolos”, existem quatro modelos de feminino ou de anima, sendo: Eva, Helena, Maria e Sofia, sendo a primeira uma representação da guerreira, a segunda mais ligada ao aspecto da sexualidade, a terceira com o aspecto religioso e a quarta com a sabedoria.
A anima de Frodo é representada na estória em dois momentos. Quanto ao outro complexo personificado na estória, o da sombra, James Hall também apresenta uma definição: “Uma parte inconsciente da personalidade caracterizada por traços e atitudes, negativos ou positivos, que o ego consciente tende a rejeitar ou a ignorar” (HALL, 1997, p.153).
A sombra é representada na estória através de Sam, o hobbit que acompanha Frodo em sua missão. Sam é a representação da sombra positiva, que acaba por contrapor o ego de Frodo. É de se destacar também a presença da sombra no seu aspecto negativo na estória, que fica representada por Sauron, e também pelos orcs, e em termos de lugar por Mordor (Terra das Sombras). Também Sam representa o arquétipo do duplo, porém a personalidade deste arquétipo fica melhor representado nos outros dois volumes da estória.
Metodologia
O método a ser usado é o interpretativo, tendo a visão junguiana como base para realizar uma amplificação - a amplificação ocorre quando explora-se um tema ou conceito através do método interpretativo relacionando com o tema em questão sob o ponto de vista da pessoa que está no processo, sendo neste caso o personagem central da estória Frodo , e através dos personagens da estória fazendo-se analogia com estes conceitos ou definições - usando Frodo Baggins e sua trajetória na estória.
A escolha desta estória ocorreu por ser a representação, em forma de conto, do processo de individuação de um ego, e pelo sucesso que está obra faz mundialmente. O interesse em relacionar está obra com a psicologia analítica foi também mais um fator para que houvesse o interesse em trabalhar com este filme.
Esta estória pode ser acompanhada em seis momentos que representam o início de sua missão para a destruição do anel. Estes seis momentos foram relacionados desta forma, pois são os momentos em que Frodo passa por dificuldades, forma a sociedade, ou conhece personagens que o auxiliarão ou tentarão desviá-lo de seu objetivo, ou seja, são os momentos mais importantes da estória.
- Visão Geral da Obra “O Senhor dos Anéis”
A trilogia “O Senhor dos Anéis”, foi criada em meados da década de quarenta por J.R.R.Tolkien. Está classificada como uma literatura de contos mágicos e fantasia. Sua obra é de grande repercussão a nível mundial, havendo citações, recomendando a leitura, em jornais como o “The New York Times”. A estória é bastante similar aos contos nórdicos e germânicos, devido a locais por onde ocorre a trama. J.R.R.Tolkien criou o mundo de “O Senhor dos Anéis” em catorze anos, sendo que neste período desenvolveu os personagens e os locais onde transcorre a estória. O filme foi rodado na Nova Zelândia e na Austrália pelo diretor Peter Jackson, e foi assistido para a realização deste artigo em VHS. A repercussão deste filme superou todas as expectativas de público e renda desde a estréia no cinema, e é esperado que seja também recorde de público nos outros dois filmes a serem lançados, referente aos outros dois volumes restantes. J.R.R.Tolkien era professor de línguas clássicas e de mitologia na Universidade de Oxford.
Foram forjados três anéis do poder dados aos elfos, sete para os anões e nove para os homens que queriam o poder, para que desta forma dividissem o governo da Terra Média. No entanto, Sauron os enganou e fez o Um Anel, que controlam todos os outros. Este anel acabou indo parar nas mãos de Frodo, através do seu tio Bilbo, que o deixou de herança.
Como, depois de derrotado, Sauron estava ressurgindo e querendo o Um Anel, foi formada uma sociedade, tendo como objetivo destruir o anel. Frodo é o portador do anel nesta missão.
Sua missão é destruir o anel, no mesmo local onde fora forjado, ou seja, na Montanha da Perdição, em Mordor.
1o momento: O recebimento do anel: Frodo vive no Condado com seu tio Bilbo Baggins. Ele se prepara para a festa do 111o aniversário de seu tio. Nesta festa, Bilbo prepara-se para deixar o que lhe pertence para Frodo, porém secretamente. Frodo tem contato com o anel e fica sabendo de sua estória através de Gandalf, o Cinzento. Ele é um mago que trabalha com as forças do bem. Gandalf, temendo pela vida de Frodo e pelo anel, pois cavaleiros negros (nâzgul) deixaram Mordor (Terra das Sombras) para pegar o anel e levá-lo para Sauron (Senhor das Sombras). Gandalf conversando com Frodo sobre o anel, ouvem um barulho do lado de fora da casa, na janela, e vê que Samwise Gamgi, outro hobbit, escutou a conversa. Gandalf o encarrega de acompanhar Frodo na missão até Bri (cidade da Terra Média). Pippin e Meriadoc, outros dois hobbits, se juntam a eles na missão, pois se encontram no caminho até Bri, e ajudam Frodo e Sam a fugirem dos nâzgul, que os persegue.
2o momento: Conhecendo Arwen e Passolargo: Enquanto estão em Bri, Sam percebe que alguém os observa, sendo este Passolargo, um viajante. Frodo descuidadamente tropeça e o anel cai em seu dedo, sendo então presentido pelos nâzgul. Estes chegam a Bri, onde procuram pelos hobbits. Passolargo os esconde e os conduz até Valfenda (Terra dos Elfos). Na fuga, Frodo é ferido e Arwen, uma elfa de Valfenda, o leva para lá em segurança.
3o momento: A formação da Sociedade: Em Valfenda, Frodo encontra com os outros três hobbits, Gandalf (que fugiu do aprisionamento de Saruman que se rendeu a Sauron) e também foi curado da ferida.
Na casa de Elrond, em Valfenda, chegam para uma reunião outros elfos, anões e homens, que com Gandalf e Frodo decidirão que destino dar ao anel. Decidem por destruí-lo, e então deverá ser levado até a Montanha da Perdição, onde foi forjado. Frodo se encarrega da tarefa. Recebe o apoio de Gandalf, Passolargo (neste momento é revelado seu verdadeiro nome que é Aragorn, que descende de Isildur que derrotou Sauron na primeira batalha), Legolas (elfo), Gimli (anão) e Boromir (homem), além dos três hobbits. Forma-se a Sociedade do Anel.
4o momento: O encontro com Gollum: Enquanto caminham por Minas Moria, Frodo fala a Gandalf que pressente que uma figura estranha os segue. Gandalf diz ser Gollum que foi solto ou escapou de Mordor, e que Gollum ainda tem um importante papel a cumprir.
5o momento: O presente de Galadriel: Após a batalha com orcs, troll e um balrog (demônio antigo que luta com Gandalf e ambos caem em um abismo), a Sociedade passa a ser conduzida por Aragorn até a floresta de Lothórien. Lá, Frodo ouve uma voz que o chama. É a rainha élfica Galadriel.
Enquanto Frodo dorme, Galadriel manda-lhe uma mensagem para que se encontre com ela. Esta pede que Frodo olhe no espelho de água, onde verá o que ninguém sabe. Após ver a Sociedade, orcs, hobbits presos e o grande olho sem pálpebra (Sauron), Frodo, assustado com o que ouve, oferece o anel a Galadriel, que usando seu poder consegue recusá-lo. Na partida de Lothórien, Galadriel dá a Frodo a estrela mais adorada dos elfos, que é a luz de Earendill, que guiará Frodo em sua trajetória por Mordor.
6o momento: A missão continua: Boromir tenta convencer Frodo a lhe dar o anel, chegando a atacá-lo, mas Frodo coloca o anel no dedo e desaparece. Orcs atacam e Pippin e Meriadoc atraem a atenção deles para que Frodo fuja. Quando está partindo sozinho em sua missão, Sam tenta-o impedir. Tentando alcançá-lo, pois Frodo está em um barco, Sam se afoga no rio, mas é salvo por Frodo. Sam irá acompanhá-lo em sua missão até Mordor.
Análise teórica
1) O início da missão
No início da estória, Frodo vivia tranquilamente com seu tio Bilbo no Condado. Através da partida para outro lugar de seu tio Bilbo, é que Frodo começará a se deparar consigo mesmo. Como Bilbo deixa o anel para Frodo, é como se o anel desse início a um processo a qual Frodo terá de passar, entrando em contato com os desafios e as manifestações do seu inconsciente, pois o anel é a representação simbólica do Self, por ter um formato de círculo (ou circunferência), o que representa o Self, e também por estar associado a uma mandala, que também é símbolo do Self, e por este motivo o anel fará o papel de que guiará Frodo pelo processo de individuação. “A mandala descreve a totalidade psíquica protegendo de dentro para fora e procurando unir opostos internos. Paralelamente é um declarado símbolo de individuação, já conhecido como tal na alquimia medieval” (JUNG, 1993, p.301). No início, principalmente para Sam, foi difícil deixar o Condado, pois lá era sua casa. Os hobbits são caseiros e acomodados, não gostando de buscar novas experiências. O fato dos hobbits serem caseiros representa a estabilidade do ego, não propício a mudanças de atitude. O anel - símbolo do self - colabora para que mudanças ocorram no ego da pessoa. A falta de saber o que virá nesta mudança, é um fator que faz com que os hobbits sejam caseiros.
Neste caso, o anel com o formato em círculo, permite que se faça uma analogia a uma mandala. Na saga do anel, este exerce a função simbólica de ser o representante do self. “Na natureza, os opostos se buscam (...), o mesmo se dando no inconsciente, sobretudo no arquétipo da unidade, no si-mesmo” (JUNG, 1991, p.56). Este anel recebe o nome de Um Anel, pois é quem domina todos os outros anéis construídos para que todas as raças que viviam na Terra Média pudessem governá-la. É a partir deste anel que a saga que Frodo protagoniza o envolverá, pois fará com que ele saia de sua terra natal, viaje pelo mundo, lute contra forças do mal e possa fazer uma quebra de atitudes do ego que estava habituado a uma vida tranquila sem desafios no Condado.
Gandalf, o Cinzento aparece neste momento como um sábio mago que protegerá e auxiliará Frodo quanto aos perigos do anel, mas também é uma força impulsionadora para que Frodo mergulhe na individuação porque “os sábios são portadores da luz e da consciência” (EDINGER, 1995, p.181). Pois é Gandalf que lhe dá a missão para levar o anel até Bri, cidade distante do Condado, onde estará em segurança. Desta forma, Frodo inicia sua missão em torno do anel, não por escolha sua, mas sim porque é forçado a levar o anel até Bri, pois está sob sua responsabilidade. A individuação se inicia a partir da mobilização de Frodo em conduzir o anel ao seu destino, sendo assim não há escolha a ser feita pelo ego se deseja ou não, pois o processo de individuação foi iniciado, ou seja, a sua missão em busca da individuação, embora de forma inconsciente.
No início, Frodo pensa em desistir e oferece o anel a Gandalf, mas o anel, forjado em Mordor por Sauron, possui o poder de libertar o lado sombrio e a cobiça de quem o usa. Se despertado este lado sombrio, atuará sob o ego, o que poderia influenciar negativamente no processo de individuação, pois não estará havendo diferenciação do ego. No processo de individuação existem etapas a serem cumpridas, sendo que a primeira é o contato com a sombra, que Jung chamou de “realização da sombra”, como diz em “ O Homem e seus Símbolos”, pois há o contato com aspectos da personalidade que são desconhecidos do ego. Na segunda etapa do processo de individuação, há o contato com a anima. “A anima exerce um papel de guia, ou de mediador, entre o mundo interior e o self” (JUNG, 1999, p.180). Na estória, Frodo tem contato com dois tipos de anima: o primeiro é com Arwen, que se caracteriza na estória pelo primeiro estágio da anima, relacionado com Eva, “pois representa o relacionamento puramente instintivo” (JUNG, 1999, p.185), sendo Arwen uma guerreira, que luta para salvar Frodo. A segunda é Galadriel, a rainha élfica, que está relacionada com o quarto estágio da anima que é caracterizado pela Sapiência ou Sofia, pois Galadriel lhe mostra o futuro e lhe presenteia com uma estrela para iluminar os caminhos sombrios por onde Frodo passará. Os outros dois estágios da anima, segundo von Franz são o segundo e o terceiro, que estão respectivamente relacionados com Helena e Maria. Por último, após ter tido contato com os complexos da sombra e da anima, “o inconsciente muda seu caráter dominante e aparece numa nova forma simbólica, representada pelo self” (JUNG, 1999, p.196). O self é a representação da totalidade e o último estágio do processo de individuação. Porém, este contato com o self, poderá ser percebido nos outros dois volumes da série “O Senhor dos Anéis”.
Gandalf por ser um mago que trabalha para as forças da luz, tem medo que o anel, se usado por ele, desperte o seu lado sombrio, ou seja, o lado desconhecido da personalidade. Desta forma, Gandalf conhece e respeita seus próprios limites e não se arrisca a tentar possuir o anel, pois sua cobiça e seu lado sombrio poderão tomar conta do ego e responder por suas ações. Quanto a este fato, pode-se fazer uma analogia com um dizer de Jung em Símbolos da transformação:
Todo extremo psicológico contém secretamente o seu oposto ou está de alguma forma em estreita relação com ele. Na verdade, é desta contradição que ele deriva a dinâmica que lhe é peculiar. Não existe rito sagrado que eventualmente não se inverta em seu oposto, e quanto mais se tornar uma posição, tanto mais se pode esperar a sua enantiodromia, sua reversão para o contrário. O melhor é o mais ameaçado com esta perversão diabólica, pois foi o que mais exprimiu o mal (JUNG, 1986, p.363)
Assim, Gandalf serve de impulsionador para que Frodo inicie sua missão de levar o anel em segurança até Bri, portanto fazendo com que Frodo abandone a tranquilidade do Condado e viaje pelo mundo em torno de sua missão.
Desta forma, tem de ser Frodo quem deverá conduzir o anel em segurança até Bri. Mas no momento em que Gandalf está contando a Frodo para onde deverá levar o anel e a estória deste, ouve um barulho na janela e Gandalf verifica que é Samwise Gamgi, outro hobbit que vive no Condado. Por estar sabendo da estória, Gandalf encarrega Sam de acompanhar Frodo onde quer que vá, durante sua missão. O anel tem o poder de exercer uma dualidade entre o bem e o mal, bem como entre a luz e a sombra. No momento em que o anel (símbolo do self) se aproxima de Frodo, começa a causar uma movimentação dos conteúdos do seu inconsciente, como o barulho ouvido por Gandalf (personificação do arquétipo do velho sábio). Este movimento está fazendo emergir conteúdos e o que aparece neste momento, e se verificará mais tarde, é a personificação do complexo da sombra, através de Sam, o hobbit que acompanhará Frodo em sua missão. Neste momento, percebe-se que Frodo tem um acompanhante durante sua saga que fará por vezes papel de ingenuo, simples e por outras vezes de tolo causando problemas. Porém, isso se verificará somente nos outros dois volumes da estória. Neste momento, Sam está associado ao lado sombrio positivo de Frodo, já que o acompanhará com o intuito de auxiliar e não de desviar Frodo de sua missão. “Se a figura da sombra contém forças vitais e positivas devemos assimilá-las na nossa experiência ativa, e não reprimi-las. Cabe ao ego renunciar ao seu orgulho e vaidade para viver plenamente o que parece sombrio e negativo, mas que na realidade pode não o ser” (JUNG, 1999, p.175). Desta forma, James Hall escreve quanto aos aspectos da sombra :
As tendências e os impulsos rejeitados (...) não são simplesmente perdidos, tendem a se aglomerar como imagem do alter ego, logo abaixo da superfície do inconsciente pessoal. Esse alter ego é o que Jung chamou de sombra, porque, quando uma parte de um par de opostos é trazida para a “luz” da consciência, a outra parte rejeitada cai, metaforicamente, na “sombra” do inconsciente (HALL, 1997, p.20).
C. G. Jung comenta também sobre o início do processo de individuação com o reconhecimento da sombra: “O desenrolar do processo de individuação começa em geral com uma tomada de consciência da “sombra”, isto é, de uma componente da personalidade que ordinariamente, apresenta sintomas negativos” (JUNG, 1988, p.199). O anel tem o poder de estimular a sombra de cada um, e quem o possui julga poder controlá-lo, mas acaba controlado por ele. Desta forma, isto ocorre porque se tenta, através do anel, realizar desejos do ego, ao passo que a função do anel é para realizar os desejos e caminhos que o self determina. Quem cai sobre o domínio do anel tem identificação com o poder e com a sombra no seu aspecto negativo. Jung diz que: “Quanto mais se pretende separar os opostos, tanto maior se torna seu poder” ( JUNG, 1988, p. 21). Fica representada na estória a batalha entre Gandalf que representa a luz e o bem contra Sauron representando o lado da sombra e o mal.
Após o início da missão dada por Gandalf a Frodo e Sam, ainda se juntam a outros dois hobbits chamados Meriadoc e Pippin
2) Arwen e Passolargo
Após a chegada dos quatro hobbits, - “(...) quatro é ainda o número que caracteriza o universo na sua totalidade (mais frequentemente trata-se do mundo material, sensível)” (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1988, p. 473-4) - a Bri, Gandalf havia determinado que ficassem em uma estalagem. O quatro é o número da totalidade, como já citado acima, o que demonstra que a representação do self (o anel) está cercado desta totalidade composta pelos quatro hobbits. Estes foram jantar, e Sam observa que havia uma pessoa que os estava observando. Neste momento, Sauron estava tentando recuperar o anel e tentava novamente dominar a Terra Média e havia mandado cavaleiros negros (nâzgul) atrás do anel, portanto atrás de Frodo. Os cavaleiros, também chamados de espectros do anel, são personagens sem identidade de ego, identificados com a sombra, portanto dominados pela ânsia do poder. Os nâzgul, ou espectros do anel, eram reis da raça dos homens, que desejando o poder, apesar de possuírem seus nove anéis, queriam mais. Estes espectros estão identificados com o arquétipo da perda da individualidade do ego, como Gollum, pois se deixaram cair na tentação da cobiça exercida pelo anel, inflando-se e identificando-se com este arquétipo. Desta forma, foi constelado este aspecto da sombra nos reis, devido a inflação do ego e pela ânsia de possuir o anel. Então neste momento, qualquer desconfiança era levada a sério, e o homem que os observava estava adequado a gerar esta desconfiança.
Pippin, após beber algumas cervejas, começa a contar a estranhos sobre o anel e Frodo. Percebendo isto, Frodo corre em direção ao hobbit para calá-lo, mas tropeça e o anel cai em seu dedo. Toda vez que o anel é colocado, a pessoa desaparece, pois acaba entrando no mundo das sombras. O fato chama a atenção de todos e o homem que estava sentado fala aos hobbits e a Frodo que não deveriam ficar mostrando ou falando do anel e comenta dos cavaleiros que os perseguem e que estão a caminho de Bri. O homem se apresenta como Passolargo, um viajante. O herói não se apresenta com sua identidade verdadeira, mas sim com uma identidade secreta. “O arquétipo do nômade é exemplificado pelas histórias do cavaleiro (...) que parte sozinho para conhecer o mundo. Durante suas viagens, eles encontram um tesouro que representa simbolicamente o dom do seu verdadeiro ser” ( PEARSON, 1989, p.83). Aragorn personifica este arquétipo do herói nômade, ou viajante; pois descobrirá seu verdadeiro eu, e retomará seu lugar como rei de Gondor.
Passolargo diz aos hobbits que os conduzirá até Valfenda (Terra dos Elfos), mas durante este percurso, eles são atacados pelos cavaleiros negros de Sauron que tentam retomar o anel e em uma batalha acabam por ferir Frodo que fica inconsciente. Durante o caminho, Passolargo encontra com Arwen, filha de Elrond, Senhor de Valfenda, que diz que conduzirá Frodo e o anel até a cidade para que seu pai possa curá-lo.
Este encontro entre Arwen e Frodo, é a representação do primeiro contato do ego com a anima, que só é possível pelo processo de individuação. Quanto a anima, James Hall diz o seguinte:
A função intrapsíquica da anima, seu papel dentro do indivíduo, é diretamente análogo ao modo como funciona em forma projetada: desvia o indivíduo dos modos habituais de funcionamento, desafia-o a ampliar seus horizontes e avança para uma compreensão mais abrangente de si-mesmo (...) como a imagem da anima é uma estrutura inconsciente, ou existe na própria fronteira do inconsciente pessoal e da psique objetiva, ela é essencialmente abstrata e carece das qualidades e matizes sutis de uma pessoa real (HALL, 1997, p.22 3).
Como já citado anteriormente, a anima aparece representada na estória sob dois aspectos, sendo primeiro com Arwen (personificação da anima guerreira) e depois com Galadriel ( personificação da anima sábia), sendo que esta também acaba exercendo a função de guia da alma, aconselhando Frodo sobre o futuro e o que aparecerá na sua trajetória em torno do anel. Galadriel, além disso, é uma rainha élfica, e os elfos são uma raça especial, pois são sábios e com sentidos muito desenvolvidos, como a visão e a audição, por exemplo. O contato de Frodo com Galadriel representa o processo de diferenciação do ego de Frodo através do processo de individuação.
Portanto, a anima aparece como uma etapa do processo de individuação e de ampliação da consciência com o intuito de iniciar mais um processo de diferenciação em Frodo, sendo que como diz James Hall, desviar (tirando-o do grupo e levando-o a cavalo até Valfenda); desafiá-lo ( não o deixando morrer) e ampliando seus horizontes ( pois quando está curado, percebe de que valeu o esforço).
3) A formação da Sociedade
Enquanto está na casa de Elrond em Valfenda, recuperando-se dos ferimentos, Frodo reencontra os outros três hobbits e Gandalf.
Gandalf, como a personificação do velho sábio – “... posso até mesmo dizer que nunca vi desenvolvimento mais ou menos avançado de um processo (...) de uma personalidade-mana (...), por seu lado, também se tem a necessidade de encontro em alguma parte um herói palpável ou um sábio superior, um guia e um pai...” (JUNG, 1981, p.222) - reaparece após mais uma etapa vencida por Frodo, com o auxílio da anima, para acalmá-lo e auxiliá-lo em outra etapa do processo de individuação. Juntamente com estes, chegam a Valfenda também outros elfos, anões e homens que decidirão sobre o destino do anel. Durante a reunião é revelada verdadeira identidade de Passolargo, que é Aragorn, que é da raça dos homens e descende de Isildur, que derrotou Sauron na primeira batalha.
Durante a reunião, cada um quer o anel para si, como forma de realizar o que lhe parece correto com o poder do anel, esquecendo que este foi forjado com a maldade de Sauron. Em meio à discussão sobre a destruição ou não do anel, Frodo assume a missão de destruí-lo, sendo, portanto o portador do anel. Porém, Elrond revela a Frodo que o anel somente será destruído se for jogado no lugar onde foi forjado, - o que demonstra ser este um anel especial, que deve retornar ao local onde foi forjado, ou seja, na Montanha da Perdição, em Mordor – local que representa o mal, a sombra e o aspecto negro do inconsciente. Frodo mantém a palavra e juntam-se a ele os três hobbits, Gandalf, Aragorn, Legolas (um elfo), Gimli (um anão) e Boromir (um homem), sendo assim formada a Sociedade do Anel.
Novamente, Frodo terá uma missão, porém muito mais difícil que a primeira. Há outra etapa do processo de individuação a ser cumprida, porém, Frodo possui a seu lado figuras importantes como Aragorn, Gandalf e Sam, ou seja, as personificações dos arquétipos do herói, do velho sábio e do duplo. Em “A psicologia da religião ocidental e oriental”, Jung comenta sobre o processo de individuação: “A individuação aparece como a síntese de uma nova unidade que se compõe de partes anteriormente dispersas, e também como manifestações de algo que preexistia ao eu e é inclusive seu pai ou criador, sua totalidade” (JUNG, 1988, p.267).
Esta reunião de partes dispersas, pode simbolizar a conscientização de complexos e a assimilação de alguns conteúdos ou manifestações inconscientes, sendo possível pelo processo de individuação.
4) O primeiro contato com Gollum
Durante o percurso da Sociedade no caminho da destruição do anel, por Minas Moria (Terra dos anões), Frodo pressente e comenta com Gandalf que estavam sendo seguidos.
Gandalf, com a percepção e a sabedoria do velho sábio, diz já ter percebido a algum tempo que estavam sendo seguidos. Diz a Frodo que é Gollum, um monstro que ficou com o anel por 2.500 anos (o anel traz longevidade para quem o possui), e provavelmente o está querendo novamente.
Gollum, sendo neste aspecto semelhante aos nâzgul, é um ego identificado com a sombra, porém inflado pelo poder do anel – pois passou muito tempo de posse dele – o que faz que o ego de Gollum tenha perdido sua individualidade.
Dentro do simbolismo de Gollum, há uma lenda judaico-cabalística de Golem, o homem-robô. Diz que “Golem é o homem criado por meios mágicos ou artificiais, em concorrência com a criação de Adão por Deus. Golem é mudo. No romance de Gustav Meyrink, o Golem aparece como uma imagem simbólica do caminho da redenção” (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1998, p.473-4).
No segundo volume da estória de “O Senhor dos Anéis- As Duas Torres”, Gollum auxiliará Frodo até o caminho da Montanha da Perdição, tendo uma função a ser exercida na trajetória de Frodo. Esta função é definida pelo si-mesmo, como no sentido de uma necessidade de restabelecimento do ego.
5) O encontro com a rainha élfica
Ainda durante o trajeto em Minas Moria, Gandalf luta com um balrog ( demônio antigo) e ambos caem em um abismo. Todos dão Gandalf como morto. Porém no segundo volume - “As Duas Torres” - Gandalf ressurgirá, porém não mais como Gandalf, o Cinzento, mas sim como Gandanlf, o Branco. Simbolicamente, a queda em um abismo com um antigo demônio, pode significar a imersão de Gandalf com seus conteúdos da sombra no seu inconsciente, e renascendo mais tarde, porém de forma diferenciada.
Após, Aragorn no lugar de Gandalf é quem comanda a Sociedade. Eles vão em direção a floresta de Lothórien, uma floresta élfica. Lá, são recepcionados pela rainha Galadriel, que consegue ler a mente das pessoas e percebe seus medos e ansiedades.
Galadriel, a rainha élfica, poderia simbolizar a sabedoria (Sofia). Galadriel será a responsável por auxiliar Frodo, diminuindo seus medos e ansiedades com relação a missão. Daryl Sharp em “Ensaios de Sobrevivência” escreve assim: “Sofia está por trás da necessidade de abordar as supremas questões filosóficas, a busca do significado (...) Ela é a companheira do “ velho sábio” na psique masculina” ( SHARP, 1995, p.71).
Desta forma, é como se fosse à representação de uma anima diferenciada, como já foi citado anteriormente, Galadriel representa o último estágio de diferenciação da anima, que esta identificada com a sabedoria (Sofia). O primeiro estágio também já citado é a identificação com Arwen e seu aspecto guerreiro e instintivo. Os outros dois estágios da anima são o segundo e o terceiro, que são representados respectivamente por Helena e Maria. Helena é a representação de uma anima mais voltada ao lado sexual da figura feminina e Maria é um terceiro estágio, pois relaciona-se tanto com o segundo (aspectos sexuais como com a sabedoria, que representa o quarto estágio da anima). Para isto, Galadriel usa um espelho de água. Marie Louise von Franz escreve da seguinte forma: “Pode-se conceber o inconsciente como algo semelhante à água parada, um lago passivo”, ( VON FRANZ, 1999, p.130), e é desta forma que Galadriel usa seu espelho de água e diz a Frodo que nele poderá ver seu passado, presente ou futuro. Assim, neste simbolismo, pode-se dizer que “o espelho mágico que vê o passado, presente e o futuro, na literatura islâmica, é simbolizado pelo coração do iniciado” (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1998, p.396) , neste caso Frodo é o iniciado por ser o portador do anel. No espelho de água, Frodo vê orcs, batalha, a Sociedade, hobbits presos e o grande olho sem pálpebra que representa o poder de Sauron que tudo observa. “O terceiro olho de Shiva assemelha-se ao Olho de Deus egípcio, que pode ser instrumento de destruição.(...) Em termos psicológicos(...), na Ira, é chamado do olho que tudo vê.” ( EDINGER, ANO, p. 48). Frodo se vê novamente incapaz de concluir a sua missão e resolve entregar o anel a Galadriel, que consegue resistir a cobiça de possuir o anel do poder. Como o anel desperta esta cobiça, ele acabou revelando o lado sombrio da rainha, que conseguiu dominá-lo e não subjugar Frodo tomando-lhe o anel. A rainha dá a Frodo a luz de Earendill, que o guiará e despede-se da sociedade.
6) A partida de Frodo
Após a saída da floresta de Lothórien, a Sociedade acampa. Boromir tenta convencer Frodo a lhe dar o anel, para usar em defesa de sua cidade, Gondor. Frodo se recusa, pois tem uma missão a cumprir, que é destruir o anel.
Boromir, então, ataca Frodo para tirar-lhe o anel, mas rapidamente Frodo o coloca no dedo e desaparece. Percebendo o erro e que traíra a confiança do amigo, Boromir se arrepende, mas Frodo já havia fugido do local onde haviam conversado. Neste momento orcs atacam o acampamento, pois tentam capturar Frodo e o anel e levá-los para Sauron. Em meio a batalha, Frodo está saindo só, em direção a Montanha da Perdição para que complete sua missão, com o apoio de Aragorn. Porém, quando Sam se dá conta de que Frodo parte sem ele, corre atrás de seu amigo, quase se afoga, mas é salvo por ele e partem juntos para continuarem a missão. O processo de individuação deve ser vivido de forma solitária, em contato com seu inconsciente, e por isso de Frodo querer partir sem Sam. Como já foi dito, Sam exercerá a função de duplo na parte seguinte da estória, por vezes fazendo o papel de acompanhante de Frodo e por outras de tolo e ingenuo.
Sobre esta passagem, pode-se fazer uma analogia com o seguinte comentário de Jung: “(...) assim como no introvertido, o objeto sobrepuja o sujeito, atraindo-o, sua atitude perde o caráter social. Esquece-se da presença do amigo; não o inclui mais” (JUNG, 1999, p.59), mostrando o poder da influência do anel sobre Frodo para partir só e deixando Sam para trás.
Neste momento, se caracteriza uma derrota das atitudes do ego para com o processo de individuação, pois queria partir sozinho na missão, mas é guiado pelo self a seguir o caminho com a companhia de Sam, que fará o papel de duplo. Sobre este arquétipo, pode-se escrever o seguinte: “... o duplo é uma alma gêmea de forte proximidade e afeto” (DOWNING, 1991, p.61) e “... o duplo é a base da identidade do ego, pode levar a pessoa a ter autopercepções significativas” (DOWNING, 1991, p.62). Como já foi dito, ficará melhor comprovado o papel do duplo de Sam nos outros dois volumes da estória.
Considerações gerais
Neste momento, Frodo estaria dentro do processo de individuação em contato com a segunda etapa, ou seja, em contato com a anima.
O anel, como símbolo do self, fez com que Frodo tivesse contato com várias personificações de conteúdos de seu inconsciente. “O anel, símbolo do Self, representa em particular o fator que cria a relação e a totalidade interior e essencial” (VON FRANZ, 1981, p.22). Desta forma, Frodo consegue se diferenciar, tomando conhecimento destes conteúdos personificados que o conduzem a individuação. Ainda, uma frase de Jung mostra a simbologia do processo de Frodo: “(...) Nele estão de pé quatro homenzinhos com pêndulos e ao seu redor o anel escuro e agora de ouro...” (JUNG, 1991, p.215), tendo como a simbologia de quatro homenzinhos, os quatro hobbits que acompanham a trajetória do anel para a destruição. Pode simbolizar também os quatro tipos psicológicos em torno da totalidade do anel, cada tipo sendo representado por um hobbit. O anel escuro simbolizaria o fato de ter sido forjado em Mordor (Terra das Sombras), mas é parecido com um anel de ouro, tendo a simbologia do ouro alquímico que realiza a transformação, esta que ocorre em Frodo gerando, ou seja, sendo como ponto de origem, o processo de individuação.
Para finalizar, uma analogia entre o anel e o processo de individuação de Frodo, segundo uma frase de C. G. Jung:
A união dos contrários, na pedra, só será possível se o próprio adepto se tornar uno. A unidade da pedra corresponde a individuação, à unificação do homem. Diríamos que a pedra é uma projeção do si-mesmo unificado. Esta formulação é psicologicamente correta. Mas não leva suficientemente em conta o fato de que o “lapis” (a pedra) é uma unidade transcendente” (JUNG, 1988, p.161).
Nesta frase, a palavra pedra pode fazer analogia com o anel na representação do processo de individuação.
Referências Bibliográficas
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